terça-feira, 28 de agosto de 2012

Seminário de formação aborda Cooperativismo e cadeia solidária do PET

A Associação Caminho das Águas, mantenedora do projeto Ecoprofetas, realizou no sábado (25/8) em São Leopoldo, seminário de formação sobre Cooperativismo e a Cadeia Solidária Binacional do PET, com coletivos de catadores da Região Metropolitana de Porto Alegre. O encontro contou com a participação de dezenas de educadores e trabalhadores em coletivos de reciclagem e realizado em parceria com o Fórum de Recicladores do Vale do Sinos, na sede do Círculo Operário Leopoldense (COL). O projeto Caminho das Águas - Ecoprofetas é desenvolvido com patrocínio do Programa Petrobras Desenvolvimento & Cidadania.


Os participantes puderam refletir sobre os princípios básicos do cooperativismo e da economia solitária, durante exposição de Telmo Adams, professor em cursos de Especialização em Cooperativismo, na Unisinos, e de Gestão de Pessoas, na UCPel. Ele ressaltou que, numa cooperativa, todos são responsáveis pela solução dos problemas: "Ela é o espaço de cooperação e solidariedade". Adams também explicou que, para o empreendimento dar certo é fundamental a transparência nas questões pessoais e econômicas bem como a troca de conhecimento, informação e entreajuda.

A nova Lei do cooperativismo (12.690/12), que institui o Programa Nacional de Fomento às Cooperativas de Trabalho (PRONACOOP) foi abordada por Kellen Pasqualeto, especialista em Gestão Estratégica nas Organizações Públicas. A lei aprovada pela Câmara dos Deputados e sancionada pela presidente Dilma Roussef assegura direitos trabalhistas aos trabalhadores cooperados e a participação dos coletivos nos processos licitatórios municipais, explicou.

A experiência bem sucedida dos catadores da região do Vale dos Sinos, cuja mudança de associação para cooperativa trouxe vantagens para o grupo, facilitando o trabalho e melhorando a vida dos cooperados, foi relatada por membros do grupo e pelo educador Geraldo Simmin.

Fibra do PET

Outro tema tratado no encontro foi sobre a Cadeia Solidária Binacional do PET. O processo é impulsionado pelo Governo do Estado do RS, através da Secretaria de Economia Solidária e Apoio à Micro e Pequena Empresa e está alicerçado no acordo binacional Brasil-Uruguai. Este prevê a transformação do PET em flocos por empreendimentos gaúchos para ser, então, enviado para a cooperativa uruguaia Coopima, que transforma o floco em fibra. Esta segue para uma cooperativa têxtil de Minas Gerais que, a partir do material, cria a fibra para ser enviada para as cooperativas gaúchas confeccionarem sacolas e outros produtos. Estão previstos cinco (5) pólos de tratamento de transformação do PET em flocos em regiões do Rio Grande do Sul.

No encerramento, Irmão Antônio Cechin lembrou que os catadores são, legitimamente, os médicos do planeta, verdadeiros profetas da ecologia. "O catador purifica a natureza", observa, ao lembrar que a criação de empregos depende de investimentos mas, no caso dos catadores que começaram a catar e separar os resíduos para comercializar, estes criam emprego do zero.