segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Livro do EcoProfetas contará a história de organização da reciclagem no Rio Grande do Sul

Nesta semana, o Projeto Ecoprofetas, patrocinado pela Petrobras, realizou as primeiras entrevistas relacionadas com a publicação de um livro sobre a organização do processo de reciclagem no Rio Grande do Sul.

Matilde Cechin, que faz parte da história da reciclagem no Estado e é organizadora/coordenadora do grupo Ecomulheres juntamente com a sistematizadora do livro Stella Pieve foram até o município de Dois Irmãos/RS e entrevistaram o casal Roque Spies, 58 anos, e Odete Faustino Spies, 59 anos, que fazem parte do grupo seleto de pessoas que contribuíram para o desenvolvimento da reciclagem no Estado. Sob a perspectiva de um olhar feminino, visto que a reciclagem relaciona-se ao trabalho de mulheres, inúmeros personagens desta história participarão em forma de depoimentos para contribuir com a publicação, que será um documento de estudo indispensável para as próximas gerações.
Odete trabalhou no campo até os 19 anos de idade, no interior de Rolante, onde passou por dificuldades financeiras. Mudou-se para o Bairro Canudos, em Novo Hamburgo, onde começou a trabalhar nas fábricas de calçados. Na década de 70, com forte envolvimento comunitário e na igreja católica tornou-se catequista. Já Roque, estudava para ser padre, e por ser seminarista envolvia-se em campanhas sociais junto às igrejas nos períodos de festejos como a Páscoa e Natal. “Nós  sempre tivemos a vontade de ajudar as pessoas”, ressalta Odete.
Odete, que também estudou para ser freira, trabalhava duro nas indústrias calçadistas, sentindo na pele a pressão por produção e para manter-se empregada. Começou a participar do sindicato do calçado e, nos finais de semana, seguiu no apoio à Diocese, participando de mutirões para a construção de casas para famílias carentes, na companhia de Roque.
Roque desistiu de ser padre, e, os dois perceberam que deviam seguir a caminhada vivendo juntos, pois o sentimento entre o casal era muito maior que de amizade. A partir daí, os dois começaram uma bela caminhada atuando lado a lado em causas sociais. Odete ajudou vítimas de enchentes através da Caritas. Foi pioneira na defesa dos direitos das crianças na Pastoral da Criança, sendo um dos braços da médica Zilda Arns no Vale do Sinos. Da mesma forma, Roque foi convidado pelo ecologista José Lutzemberger para organizar o trabalhar de reciclagem no Bairro Roselândia, em Novo Hamburgo. No trabalho que ocorreu até o ano de 1994, Odete esteve lado a lado, oferecendo pomada e chá para as famílias que viviam nos “lixões”. Roque conta que, era uma época muito difícil. “ Chegamos a ter 140 pessoas trabalhando a céu aberto e não existia  o Estatuto da Criança e do Adolescente”, conta. 


Dois Irmãos – Na cidade serrana, onde Odete e Roque escolheram para morar e permanecem até hoje, entre os anos de 1983 e 1991 o lixo era incinerado, e, posteriormente, enterrado em grandes buracos nos limites da cidade. Foi neste local, que Roque e Odete assumiram o desafio de organizar um sistema de reciclagem de lixo, que tornou-se referência no Estado e com grande participação da força de trabalho executada por mulheres.