quinta-feira, 9 de julho de 2015

RESUMO DO LIVRO: Oitavo povo das missões – Além da reciclagem (no feminino) volumes 1 e 2 e o vídeo Memória, Afeto e Reciclagem


O Grupo de Trabalho Ecomulheres teve o objetivo de mostrar a organização do processo de reciclagem no Rio Grande do Sul

O objetivo deste trabalho foi narrar a história da organização da reciclagem no Rio Grande do Sul, a partir de dois pontos principais: 1) o olhar feminino, visto que a reciclagem relaciona-se ao trabalho de mulheres, e 2) a importância da (re)ciclagem (no sentido de devolver ao ciclo) de resíduos sólidos produzidos num contexto capitalista-consumista. A história começa na Ilha Grande dos Marinheiros com o “chamado de Irmã Marie Eve”, um Irmã das Cônegas de Santo Agostinho, que ao desenvolver o artesanato com mulheres e cuidar de crianças da Ilha Grande dos Marinheiros, percebe a necessidade de um trabalho com o lixo. Irmã Marie Eve pede ajuda a Irmão Antônio e Matilde Cecchin.

Desse chamado inicia-se um trabalho maior junto à comunidade, são formados grupos de base para o preparo de pães, confecção de acolchoados e a organização e fundação do primeiro Galpão de Reciclagem de Porto Alegre (1987). Deste primeiro galpão, o trabalho da reciclagem estende-se para outros bairros de Porto Alegre – como acontece na Vila Santíssima Trindade – e outras cidades do estado – Santa Maria, Novo Hamburgo, Dois Irmãos e Caxias. Nessas primeiras etapas do trabalho, o lixo reciclável era recolhido por parte da sociedade civil interessada em ajudar na reciclagem. Esses materiais eram recolhidos e armazenados em escolas, igrejas e paróquias e transportado pelos próprios catadores aos galpões de reciclagem. Tal iniciativa de reciclagem passa a chamar a atenção de convenções ambientais internacionais, como a ECO 92. 

Ao mesmo tempo, uma série de entidades nacionais passam a se interessar pelas Associações de Catadores e o trabalho de reciclar. Entre estes podemos citar o trabalho de Nilton Fischer, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Educação Popular nos Galpões, especialmente no bairro Rubem Berta/Porto Alegre. Nos anos 1990, inicia-se um processo de organização dos recicladores, a Federação das Associações de Recicladores do Rio Grande do Sul (FARRGS), que foi desestabilizada pelo Movimento Nacional dos Catadores (MNC), atual movimento representativo desses trabalhadores.

Daqui em diante, um processo importante acontece, o lixo passa a ser centralizado e distribuído pelo Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU), o lixo torna-se responsabilidade do poder público e, inclusive, troca de nome, passa a ser chamado de resíduo sólido, ganhando até mesmo uma política pública para sua gestão, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (2010).

O fechamento desta história dá-se com a atual situação dos galpões de reciclagem e de seus trabalhadores. A metodologia utilizada no desenvolvimento desta pesquisa é a sistematização de experiências, na qual pautamo-nos em trabalhos já desenvolvidos e registrados a partir de jornais, textos, vídeos, fotografias, publicações em livros, anais de encontros, mas também na memória e na experiência de mulheres e homens que compartilharam essa história. Para tanto, além de compilar dados secundários, conduzimos entrevistas semiestruturadas com catadoras, Irmãs e assessores do trabalho de reciclagem e militantes da causa. A proposta é propiciar o relato histórico da organização reciclagem no RS a partir das experiências aqui sistematizadas e possibilitar uma reflexão sobre o processo de (re) ciclagem, tendo em vista que este não perpassa somente os resíduos sólidos, mas a vida de tantas mulheres e famílias que atuam na limpeza do planeta.